O preço de atacado por quantidade funciona no PDV quando a regra está cadastrada no produto e o sistema a aplica sozinho na hora em que a quantidade é atingida, sem o operador precisar lembrar nem digitar desconto. O problema mais comum no balcão é o contrário disso: o cliente leva seis unidades, o operador esquece de dar o preço combinado, o cliente reclama, e o desconto é feito à mão, com valor diferente a cada vez. Os oito passos abaixo organizam a configuração, do desenho da regra ao teste no caixa. Os nomes das telas mudam de um sistema para outro, mas a lógica é a mesma.
1. Escreva a regra antes de abrir o sistema
Antes de qualquer cadastro, defina no papel como o preço de atacado vai funcionar. Há quatro modelos comuns, e misturá-los sem critério é o que confunde a equipe e o cliente:
- Por quantidade do mesmo item: a partir de 6 unidades do mesmo produto, o preço unitário cai.
- Por embalagem fechada: a caixa ou o fardo fechado tem um preço próprio, menor do que a soma das unidades.
- Por mix: itens diferentes de uma mesma família somam para atingir a quantidade, como sabores diferentes do mesmo refrigerante.
- Por cliente: o preço de atacado vale só para clientes cadastrados, como comerciantes que revendem.
Exemplo hipotético: um mercado de bairro decide que água mineral de 1,5 litro custa R$ 3,50 a unidade e R$ 3,00 a partir de 6 unidades, e que o fardo fechado com 6 garrafas sai pelo mesmo preço da faixa, R$ 18,00. A regra escrita em uma linha evita que cada pessoa da equipe a interprete de um jeito.
Nesta etapa, confira também a margem de cada faixa com o custo atual do produto. Um preço de atacado definido meses atrás, antes de um reajuste do fornecedor, pode estar abaixo do custo, e o sistema vai aplicá-lo com a mesma eficiência com que aplica um preço certo.
2. Confirme como o seu sistema aplica o preço
Os PDVs costumam oferecer um destes recursos, às vezes mais de um: preço por faixa de quantidade no próprio cadastro do produto, tabela de preço separada (varejo e atacado) associada ao cliente ou ao tipo de venda, e promoção do tipo leve X pague Y. Veja na configuração ou com o suporte qual deles existe e se ele funciona para itens pesados na balança, que muitas vezes ficam de fora.
Para a maioria dos mercados, a faixa por quantidade no cadastro do produto é a opção mais simples, porque não depende de o operador escolher tabela nem identificar o cliente.
Na distribuidora que vende tanto para consumidor final quanto para comerciantes, a tabela de preço por cliente costuma funcionar melhor. O cliente revendedor é cadastrado com a tabela de atacado, e o PDV aplica os preços dela assim que ele é identificado no início da venda. O cuidado, nesse caso, é a identificação: se o operador esquecer de selecionar o cliente, a venda sai com o preço de varejo; se selecionar o cliente errado, sai com o preço de atacado para quem não tem direito. Configure o PDV para pedir o cliente antes do primeiro item quando a loja trabalhar com tabelas diferentes.
Vale lembrar que a venda para outra empresa pode exigir um documento fiscal diferente do usado na venda ao consumidor. Se a loja passa a vender em quantidade para comerciantes, confirme com o contador qual documento cada tipo de venda precisa e se o PDV emite os dois.
3. Cadastre as faixas de quantidade no produto
No cadastro do produto, informe o preço de varejo e, em seguida, as faixas. Cada faixa tem uma quantidade mínima e o preço unitário que passa a valer a partir dela.
- Abra o cadastro do produto pelo código de barras, para ter certeza de que é o item certo.
- Confira o preço de varejo atual.
- Inclua a faixa: quantidade mínima 6, preço unitário R$ 3,00, no exemplo hipotético.
- Se houver uma segunda faixa, como 12 unidades, inclua com a quantidade maior.
- Salve e anote o produto numa lista dos itens com atacado, que será usada no teste.
Um erro comum é cadastrar o preço total da faixa (R$ 18,00) onde o sistema espera o preço unitário. O caixa passa a cobrar R$ 18,00 por garrafa. Leia o nome do campo antes de digitar.
4. Cadastre a embalagem fechada com código próprio
Quando o fornecedor entrega o fardo ou a caixa com um código de barras próprio, diferente do código da unidade, cadastre essa embalagem como um item de venda com o preço do fardo e a quantidade de unidades que ele contém. Assim, quando o operador lê o código do fardo, o PDV registra 6 unidades de uma vez pelo preço certo.
Sem esse cadastro, o operador tem duas saídas ruins: abrir o fardo para ler uma garrafa e multiplicar por 6, ou ler a mesma garrafa seis vezes. As duas atrasam o caixa. O texto sobre PDV com emissão de nota fiscal para mercados e distribuidoras mostra por que o cadastro correto dos códigos também evita problema no documento fiscal.
5. Decida se o mix de itens soma para a faixa
O cliente leva três garrafas de água com gás e três sem gás. Ele atingiu as 6 unidades ou não? Se a regra do passo 1 diz que sim, o sistema precisa saber que os dois produtos pertencem à mesma família de preço.
Alguns PDVs fazem isso com um grupo de atacado: os produtos entram no mesmo grupo, e a quantidade é somada entre eles. Outros não têm o recurso, e o preço só cai com 6 unidades do mesmo código. Se o sistema não somar o mix, avise a equipe e deixe isso claro na comunicação ao cliente, para não prometer no balcão o que o caixa não faz.
6. Mostre o preço de atacado ao cliente
O preço de atacado só gera venda se o cliente souber dele antes de chegar ao caixa. Duas medidas resolvem:
- Na gôndola: a etiqueta de preço mostra os dois valores, o de varejo e o de atacado, com a quantidade mínima. Muitos sistemas imprimem essa etiqueta direto do cadastro, o que evita divergência entre o preço da prateleira e o do caixa.
- No caixa: verifique se o cupom mostra o preço de atacado aplicado de forma clara, como preço unitário reduzido ou como desconto no item. O cliente confere o cupom, e a dúvida aparece ali.
A forma como o desconto ou o preço reduzido aparece no documento fiscal pode variar conforme o sistema e as regras do estado. Se houver dúvida sobre esse ponto, a confirmação é com o contador.
7. Bloqueie o desconto manual para o atacado
Com a regra automática funcionando, o desconto manual deixa de ser necessário para o atacado. Configure as permissões para que o operador não aplique desconto sem senha de supervisor, e para que o preço de atacado não possa ser forçado em quantidades abaixo da faixa.
Isso protege o caixa de dois problemas: o desconto dado por engano e o desconto dado de propósito para conhecidos. A gestão de promoções e descontos pelo PDV fica mais simples quando o sistema aplica as regras e as pessoas só conferem.
8. Teste no caixa antes de divulgar
Com a lista de produtos anotada no passo 3, faça vendas de teste antes de divulgar o preço ao público. Se o sistema tiver um modo de treinamento, use-o; se não tiver, faça a venda sem finalizar o pagamento, para não gerar documento fiscal. Confira, em cada produto:
- 5 unidades: o preço continua o de varejo.
- 6 unidades lidas uma a uma: o preço muda para o de atacado em todas as unidades, e não só na sexta.
- Leitura do código do fardo: entram 6 unidades pelo preço do fardo.
- Mix de itens do mesmo grupo, se o recurso existir: a faixa é atingida com a soma.
- Remoção de uma unidade da venda: o preço volta ao de varejo quando a quantidade cai abaixo da faixa.
- Cupom: o preço aplicado aparece de forma compreensível para o cliente.
O quinto teste é o que mais revela falhas: há sistemas que mantêm o preço de atacado depois de o item ser retirado. Se isso acontecer, avise o suporte antes de colocar a regra no ar, e combine com a equipe conferir o total sempre que um item for removido de uma venda com atacado.