Numa loja de 1,99 ou de variedades, o caixa trava por causa do volume de itens baratos por compra: dez, vinte, trinta peças diferentes, muitas sem código de barras, várias repetidas. Os ajustes que mais aceleram o atendimento estão na configuração do PDV e no cadastro: multiplicador de quantidade, código próprio para o que não tem código, nomes padronizados para a busca, teclas rápidas, preço por quantidade, promoções calculadas pelo sistema, cadastro genérico só como exceção e consulta de preço fora do caixa. São oito ajustes, cada um independente dos outros, que podem ser aplicados um por vez.

1. Use o multiplicador de quantidade em vez de passar item por item

Uma cliente leva doze prendedores de roupa iguais. Passar o mesmo código doze vezes é lento e aumenta a chance de errar a contagem. Quase todo PDV tem uma tecla de multiplicação: o operador digita a quantidade, aperta a tecla e lê o código uma vez.

O erro comum é o operador digitar a quantidade e depois ler um produto diferente, ou esquecer que o multiplicador ficou ativo. Dois cuidados resolvem:

  • conferir se a tela mostra a quantidade antes de ler o código;
  • combinar com a equipe que, para quantidades altas, o operador confirma em voz alta com o cliente ("doze unidades, certo?").

Treine também a correção: se a quantidade entrou errada, o operador ajusta o item na tela, em vez de cancelar a venda inteira e começar de novo.

2. Crie código de barras próprio para produtos sem código

Em loja de variedades, muitos produtos chegam a granel ou em embalagens coletivas, sem código de barras na unidade. O operador então procura o item pelo nome, item por item, e a fila cresce.

A solução é gerar códigos internos no cadastro e imprimir etiquetas para essas mercadorias, ou para a gôndola de onde elas saem. Muitos sistemas geram esse código automaticamente, em faixa própria de uso interno. A etiqueta pode ficar no produto ou num cartão plastificado preso ao caixa, com o código dos itens que mais saem sem etiqueta.

Antes de gerar códigos internos, confira se o produto realmente não tem código: às vezes a unidade não tem, mas a embalagem coletiva tem, e o fornecedor informa o código da unidade na nota de compra. Usar o código do fabricante, quando ele existe, evita etiquetar à mão o que já vem pronto.

Exemplo hipotético: uma loja identifica que trinta produtos sem código respondem pela maioria das buscas por nome no caixa. Com etiqueta interna nesses trinta, a busca por nome passa a ser exceção. Para descobrir quais são esses produtos, basta pedir ao suporte do sistema, ou consultar no relatório de vendas, os itens mais vendidos que foram lançados por busca, e não por leitura de código.

3. Padronize os nomes para a busca funcionar

Quando a busca por nome é inevitável, ela só é rápida se o cadastro seguir um padrão. "Pregador madeira", "Prendedor de roupa mad." e "PRENDEDOR MADEIRA 12UN" para produtos parecidos obrigam o operador a tentar três palavras diferentes.

Um padrão simples: tipo do produto, material ou característica principal, tamanho ou quantidade. Exemplo: "Prendedor roupa madeira 12 un", "Prendedor roupa plástico 12 un". O operador digita "prend" e vê os dois lado a lado.

Vale definir o padrão por escrito e aplicá-lo a cada produto novo. Revisar o cadastro antigo pode ser feito aos poucos, começando pelos produtos que mais aparecem nas buscas.

4. Configure teclas rápidas para os itens mais vendidos

Alguns PDVs permitem associar produtos a teclas de atalho ou a botões na tela. Em loja de variedades, isso funciona bem para itens que saem o tempo todo e são difíceis de etiquetar, como sacolas, laços, papel de presente vendido por folha e balas avulsas.

Exemplo hipotético: num sábado de movimento, metade das compras leva uma ou duas sacolas cobradas à parte. Se o operador procura "sacola" pelo nome a cada venda, perde alguns segundos em cada atendimento; com um botão "Sacola" na tela, o item entra com um toque.

O limite é o número de teclas que o operador consegue memorizar. Uma tela com doze botões grandes e bem nomeados é mais útil do que uma com cinquenta botões pequenos. Revise a lista de tempos em tempos: um item sazonal, como enfeites de festa, entra na época e sai depois.

5. Restrinja o cadastro genérico por faixa de preço a exceções

Uma prática comum em lojas de 1,99 é cadastrar itens genéricos por preço ("Diversos 1,99", "Diversos 4,99") e vender qualquer produto daquela faixa com o mesmo código. É rápido, mas tem dois custos.

O primeiro é de informação: a loja deixa de saber quais produtos vendem, e decide a compra seguinte no escuro. O segundo é fiscal: o documento fiscal de venda costuma exigir a identificação do produto e a classificação fiscal de cada item, e produtos diferentes reunidos sob um só código podem ter classificações diferentes. Como a forma correta de cadastrar depende do enquadramento da loja e das regras do estado, confirme com o contador antes de usar itens genéricos.

Exemplo hipotético: no fim do mês, o relatório mostra que "Diversos 4,99" foi o item mais vendido da loja. A informação não ajuda em nada na hora de repor a gôndola, porque ninguém sabe se foram potes, escovas ou brinquedos. Com cada produto no seu código, o mesmo relatório diria o que comprar de novo.

Se o genérico for usado, que seja exceção, com acesso limitado e relatório semanal de quantas vendas passaram por ele. As vantagens de um sistema de PDV com emissão de nota fiscal para lojas de 1,99 passam justamente por ter cada produto identificado.

6. Cadastre preço por quantidade para quem compra em volume

Loja de variedades atende consumidor final e também quem compra para revender ou para festa: cinquenta copos, cem saquinhos, trinta lembrancinhas. Dar desconto à mão para cada um desses clientes atrasa o caixa e gera preço diferente para o mesmo volume.

A configuração de preço por quantidade, que alguns sistemas chamam de preço de atacado ou de faixa, aplica outro valor a partir de uma quantidade mínima. Exemplo hipotético: saquinho de festa a R$ 0,50 a unidade e R$ 0,40 a partir de cinquenta unidades. O operador lê o código com o multiplicador do item 1, e o sistema aplica o preço certo.

Defina se o preço por quantidade vale por produto ou por grupo de produtos parecidos (saquinhos de cores diferentes, por exemplo), e deixe a regra visível na gôndola, para que o cliente saiba antes de chegar ao caixa.

7. Deixe o sistema calcular as promoções

"Leve 3, pague 2", "segunda unidade com desconto" e "três por um valor fechado" são promoções comuns em lojas de variedades. Quando o operador calcula na cabeça, o desconto sai diferente a cada venda, e a fila espera.

Cadastre a promoção no PDV com começo, fim e produtos participantes. O sistema reconhece a combinação na leitura e aplica o desconto sozinho. Teste antes de começar: passe a quantidade exata da promoção, uma unidade a menos e uma a mais, e confira os valores.

Um erro frequente é a promoção que continua ativa depois do fim anunciado. A data final cadastrada no sistema resolve, desde que seja preenchida. Para outras formas de organizar descontos, veja o texto sobre gerenciamento de promoções e descontos pelo PDV.

8. Ofereça consulta de preço fora do caixa

Em loja de 1,99, uma parte dos produtos tem preço diferente do nome da loja, e o cliente quer saber quanto custa antes de decidir. Se a única forma de descobrir é perguntar no caixa, o operador interrompe a venda em andamento para consultar.

Duas saídas reduzem essa interrupção:

  • Preço sempre na gôndola: etiqueta de preço em cada prateleira ou gancho, atualizada junto com o cadastro.
  • Ponto de consulta: um leitor de preço fixo num ponto da loja, ligado ao sistema, em que o próprio cliente lê o código e vê o valor.

Na escolha entre as duas, o tamanho da loja pesa. Em loja pequena, com poucas gôndolas, a etiqueta de prateleira costuma bastar. Em loja maior, com milhares de itens e preços que mudam com frequência, um ou dois pontos de consulta perto dos corredores mais movimentados poupam o caixa de boa parte das perguntas.

O ponto de consulta só ajuda se o preço do sistema for o mesmo da gôndola; caso contrário, cria discussão no caixa. Por isso, a rotina de alteração de preço inclui as duas coisas: sistema e etiqueta da prateleira. Para acompanhar o que mais tem surgido nesse tipo de loja, as tendências em automação para lojas de 1,99 e drogarias trazem outras opções.